21Janeiro2018

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Idéias de Jeca Tatu

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Cá estou com esse livro de 1951, Ideias de Jeca-Tatu. Relíquia na data, porcaria e absurdo atualmente. Foram necessários litros e mais litros de café para concluir a leitura desse livro, mas tudo aquilo que não me mata, me fortalece (risos).

 

Talvez por conta de seu reacionarismo, sua hipócrita constante mudança e seu linguajar mais do que jurássico, a leitura desse livro seja travada e até mesmo, em casos mais radicais, impossível. O engraçado é que, mesmo pecando em praticamente o texto inteiro, ele conseguia soltar algumas poucas frases relevantes, inteligentes.

Trata-se de uma espécie de “modernismo radical” (mil e uma aspas), com ênfase no nacionalismo, vulgo identidade artística do Brasil, contra o liceu de artes ao estilo francês (que predominava na época), mas que ao mesmo tempo se prende, porque ninguém é santo, a um passado conservador, contra, por exemplo, ao que Almeida Júnior queria transmitir em sua obra. Salvo, é claro, imperdoável esquecer, a algumas reviravoltas na história de Jeca-Tatu, que antes não era nada além do caipira preguiçoso; em seguida, seus artigos sobre a identidade brasileira estar ligada aos mais simples.

Resultado de uma época na qual uma burguesia decadente dominava, que anos mais tarde seria desmascarada pelo genial Nelson Rodrigues? Bem provável. A finura da moral e dos bons costumes eram uma porta aberta para o mau gosto e a breguice, em outras palavras, ostentação. Daí se pode entender o por que de tanto conservadorismo em um país como o Brasil. Monteiro Lobato só fazia parte desse tipo de pensamento coletivo. Enfim... É aconselhável que as pessoas continuem a rotulá-lo como um mero escritor de livros infantis, que por sinal são bem legais.

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