20Janeiro2018

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Crônica: Ficção e liberdade

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Quando finalmente me vi livre, reneguei o meu talento e isso me custou um ano de uma dolorosa improdutividade, além de muita insegurança. Parei de escrever pelo simples motivo de não achar maduro ou bom o suficiente o que eu escrevia.


A única coisa que não deixei de lado foi a leitura no tempo livre que eu tinha e com isso acabei conhecendo mulheres incríveis.
Passei por uma mudança brusca de rotina e de pensamento que só a adolescência pode proporcionar, afinal, dessa vez era eu e o mundo todo, e nele, uma infinidade de caminhos. Cada passo que eu dava, era uma decepção atrás da outra, um espanto atrás do outro.
Descobri através dessas autoras, dessas mulheres, todas as maravilhas desse tipo de percepção.
São elas: Alice Munro, Lya Luft, Rosamunde Pilcher, entre tantas outras. Todas elas me ensinaram, através da ficção, a estar sempre de mãos abertas para a vida.
Desde então a expressão “pregar peças” se tornou não só dura, mas inútil para se referir a algo como a vida. Nada mais medíocre do que falar “a vida é...”, já que ela, além de inanimada, é construída aos poucos, por cada indivíduo e a sua maneira.
Muitos optam pelo caminho do sofrimento, achando que este é o caminho mais sensato. Nossa sociedade foi moldada para que as pessoas se conformassem em atingir apenas o que está mais próximo, sem que faça algum esforço para atingir um objetivo maior.
Eu não quis ficar para trás, não quis escolher o mais fácil e nem me conformar com as migalhas que eu poderia e posso me dar todos os dias. As pessoas me dizem, repetitivamente, que a liberdade tem um preço. Eu decidi negociar com ela todos os dias.

 

por Liz Under

fotografia: JJr.

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