23Janeiro2018

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Do 'enxofre' de Chavez ao sapato de Kruschev, 7 momentos polêmicos na Assembleia da ONU

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A presidente Dilma Rousseff fez o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU nesta segunda-feira, seguindo uma tradição que remonta aos primórdios da organização, fundada há 70 anos.

 

Em 1947, o então ministro do Exterior brasileiro, Oswaldo Aranha, presidiu a primeira sessão especial da Assembleia Geral e, desde então, cabe a um representante do país fazer o discurso de abertura do evento anual.

Mas o pronunciamento que mais deve chamar a atenção nesta segunda é o do líder cubano, Raúl Castro. Será a primeira aparição no evento de um líder cubano desde a participação de Fidel Castro, seu irmão, na Assembleia Geral de 2000.

Devido ao seu estilo pessoal, a julgar por intervenções de Raúl em outros encontros internacionais, e pela conjuntura diplomática criada pela aproximação do país com os Estados Unidos, é pouco provável que o líder de Cuba faça um discurso de forte teor crítico ou radical.

O evento, na sede das Nações Unidas em Nova York, tem um interessante histórico de discursos marcantes. Veja abaixo uma lista com sete dos mais impactantes deles.

1. Fidel Castro 'sendo breve'

Na sua primeira aparição na ONU, no dia 26 de setembro de 1960, apenas 19 meses após a vitória da revolução cubana, Fidel Castro fez um pronunciamento que durou 4 horas e 29 minutos, o mais longo de toda a história da ONU.

As primeiras palavras foram: "Embora nos tenham dado a fama de que falamos muito, não é preciso se preocupar. Vamos fazer o possível para sermos breves".

2. O sapato de Kruschev

Um acessório roubou toda a atenção em um momento em que o discurso deveria ser a estrela.

No dia 13 de outubro de 1960, o primeiro-ministro soviético Nikita Kruschev reagiu com fúria ao discurso do representante das Filipinas, que acusava a União Soviética de ter "engolido" os países da Europa Oriental e ter despojado estes países de seus direitos.

O premiê soviético golpeou com força a mesa onde estava, com os dois punhos, tirou o sapato do pé direito e acertou a mesa com ele.

O historiador William Taubman, autor do livro Kruschev: o homem e sua era, ouviu testemunhos que negam que o então líder soviético tivesse acertado a mesa com o sapato; ele teria apenas tirado o sapato, levantado este ao ar de forma ameaçadora e colocado ele sobre a mesa.

De qualquer forma, desde aquele dia a pergunta mais comum dos turistas que visitam a sede da Assembleia Geral é: onde foi que Krushev deu sapatadas na mesa?

3. Arafat, um revólver e um ramo de oliveira

No dia 13 de novembro de 1974, em sua condição de presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat foi convidado a comparecer diante da Assembleia Geral.

A presença dele na ONU, apenas dois anos após o assassinato de atletas israelenses na Olimpíada de Munique por integrantes da OLP, causou mal-estar entre representantes de Israel e de outros países.

No discurso, Arafat defendeu as ações de sua organização como parte de uma luta armada e pediu a criação de um estado nacional independente para os palestinos.

Uma frase marcou seu discurso: "Venho com um ramo de oliveira em uma mão e a arma de um combatente pela liberdade na outra. Não deixem que o ramo de oliveira caia de minha mão".

Anos mais tarde, a OLP ganharia status de observadora na ONU e a Assembleia Geral reconheceria o direito de autodeterminação dos territórios palestinos.

4. Idi Amin se recusa a falar inglês

Em 1975, quatro anos depois de chegar ao poder por meio de um golpe de Estado, Idi Amin, líder de Uganda, esteve na Assembleia Geral da ONU.

Mas em vez de discursar, ele passou a palavra a outro representante de seu país, pois se recusava a falar inglÇes, idioma que dominava perfeitamente, alegando ser um idioma "imperialista e colonialista".

O discurso foi lido por seu representante permanente na ONU, em inglês.

No texto, Amin acusou a organização Anistia Internacional de fazer calúnia contra cem países listados como nações que constantemente violavam direitos humanos e alegava que a ONG se alimentava de boatos e "manobras de criminosos desacreditados" que viviam no exílio.

Estima-se que cerca de 300 mil pessoas morreram ou desapareceram durante os anos em que Amin permaneceu no poder.

5. Chávez fareja o diabo

"Ontem o diabo esteve aqui, neste mesmo lugar, ainda tem cheiro de enxofre nesta mesa, onde tenho de falar", disse o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em um dos discursos de maior destaque na Assembleia Geral de 2006.

A frase de Chávez se referia ao então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e se transformou em manchete em todo o mundo.

Neste discurso, o líder venezuelano também recomendou a leitura do livro O Império Americano: Hegemonia ou Sobrevivência, do intelectual americano Noam Chomsky. A citação do livro fez com que a obra chegasse ao primeiro lugar da lista de livros mais vendidos no site da Amazon.

6. Khadafi e suas reclamações

Apesar de ter chegado ao poder na Líbia em 1969, foi apenas no ano de 2009 que Muammar Khadafi fez sua primeira aparição na Assembleia Geral da ONU.

Em um discurso de cem minutos, o líder líbio apresentou uma grande lista de reclamações, a maior parte destinadas ao Conselho de Segurança da ONU, que comparou à Al-Qaeda.

"Não deveria ser chamado de Conselho de Segurança, deveria ser chamado de Conselho do Terror", disse.

Khadafi também acusou os Estados Unidos de terem "criado" a gripe suína e colocou em dúvida a versão oficial sobre o assassinato do presidente John F. Kennedy.

Khadafi também chamou atenção fora da ONU; depois de ter vários pedidos negados, ele conseguiu autorização para erguer uma enorme tenda no estilo beduíno em um terreno de Donald Trump - hoje, pré-candidato republicano para as próximas eleições presidenciais americanas - nos arredores da cidade.

7. Ahmadinejad e sua versão dos ataques de 11 de setembro

Image captionDepois que Ahmadinejad falou sobre sua teoria, 33 delegações abandonaram a sala (Foto: ONU)

Na Assembleia Geral de 2010, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad apresentou sua "teoria" sobre os ataques de 11 de setembro de 2001 em Washington e Nova York.

"Alguns setores dentro do governo dos Estados Unidos orquestraram os ataques (de 2001) com o objetivo de reverter sua decadência econômica, melhorar sua posição no Oriente Médio e salvar o regime sionista (de Israel)", disse Ahmadinejad.

Diante de seu discurso, representantes de 33 delegações diplomáticas abandonaram a sala, incluindo todos os membros da União Europeia, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Costa Rica.

BBC News

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